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Como criar um SaaS com IA do zero: o que aprendemos construindo quatro

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Criar um SaaS com IA ficou rápido. Criar um que não vaze dados, não quebre a margem e não pare em silêncio continua sendo trabalho de engenharia. Na Argo estamos construindo quatro — Meu Oratório e Numerei já no ar, Kaptar AI e FortIA em desenvolvimento — e este é o caminho que sobrou depois dos erros.

1. Antes do código: quem paga e quem não pode ver o dado de quem

Duas perguntas definem a arquitetura inteira. Quem paga — o profissional, o usuário final, a empresa por assento? E qual é a unidade que não pode enxergar os dados da outra — a academia, o corretor, a família? A segunda resposta vira a regra de acesso do banco. Errar aqui custa uma reescrita.

O mercado também decide cedo: Brasil significa LGPD, nota fiscal de serviço e Pix; México significa LFPDPPP e CFDI. Moeda, idioma e textos legais nascem no primeiro dia, não no lançamento.

2. A ordem das fases

  1. Fundação: autenticação, papéis e isolamento entre clientes no banco desde a primeira migração.
  2. O núcleo: as duas ou três entidades que fazem o produto ser ele.
  3. Cobrança: plano, limites por plano e teste grátis — antes da IA, porque é a cobrança que diz quanto a IA pode custar.
  4. IA: só agora, com custo medido desde a primeira chamada.
  5. Polimento e produção: monitoramento, backup, textos legais, lojas.

3. As regras que não negociamos

Toda tabela nasce com política de acesso (RLS). Nunca "depois". Um detalhe que pegamos em auditoria: uma política escrita como "o papel do usuário não está na lista proibida" deixava passar o visitante anônimo, porque para ele o papel é nulo — e nulo não está em lista nenhuma. Hoje toda política começa recusando quem não está logado.

Recurso de IA sem telemetria não está pronto. Cada chamada grava modelo, tokens e custo; cada falha também. Num dos nossos apps, a única rotina automática sem essa medição consumia um modelo caro todo dia e era invisível no painel.

Cota de IA também no plano pago. "Ilimitado" é promessa comercial, não técnica: uma única conta automatizada estoura a margem do mês. E a cota precisa ser reservada no banco antes de chamar o modelo — contar e depois gravar deixa dez pedidos simultâneos passarem juntos.

A página de vendas só promete o que existe. Num produto, métricas de exemplo e uma forma de pagamento que ainda não existia tiveram de sair da página depois do lançamento.

4. O erro que mais vemos: falhar em silêncio

O bug que derruba um SaaS raramente dá erro. É a rotina que reporta sucesso com a fila vazia, a credencial que vence sem aviso, o cabeçalho esquecido que deixa o site fora do Google. Por isso todo alarme nosso nasce com a prova de que dispara: se não o vimos falhar de propósito, não sabemos se funciona.

5. Por onde começar

Se você vai construir um SaaS com IA agora: defina quem não pode ver o dado de quem, ponha a regra no banco no primeiro dia, meça o custo de cada chamada de IA e escreva o alarme antes do recurso. O resto se ajusta no caminho.

Se o seu SaaS já está no ar e você quer saber onde ele está exposto, é exatamente o que a nossa auditoria responde.

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